terça-feira, 20 de outubro de 2015

Síntese da Abordagem Histórica da Teologia Prática

a partir de Casiano Floristan, Teologia Pratica. Teoria y Praxis de la Accion Pastoral, Ediciones Sígueme, Salamanca, 1998, pp.31-122


A ação da igreja baseia-se na ação de jesus e que apesar de esta estar descrita nos evangelhos, estes não podem ser considerados relatos biográficos mas sim o testemunho ou confissão de fé provenientes da vivência pascal das comunidades, relatos da vida de Jesus que tinham como objetivo manter viva e presente o Ressuscitado e revelar o Reinado de Deus.
A práxis pastoral de Jesus Cristo é assim a sua história de vida, nascendo assim a ação pastoral paradigmática.
A nossa fé é demonstrada pelas imagens que temos de Jesus cristo, que regula a nossa vida cristã, a ação pastoral e a reflexão teológica, a nossa imagem de Jesus vai sendo construída pela nossa educação cristã, da nossa formação, da maneira de agir da comunidade que pertencemos.
Após a Segunda Guerra Mundial a ação pastoral apresenta-se de duas maneiras principais: a Cristologia descendente tendo como base a divindade de jesus e a Cristologia ascendente alicerçando-se na humanidade de Jesus.
O povo cristão vê Jesus como modelo de paciência resignação e obediência, um salvador que nos abre as portas do céu.
Jesus foi um profeta, não um sacerdote do templo, não um “escriba” da lei, a práxis de Jesus e como podemos constatar pelos seus modelos, Ele não exercia o poder sacerdotal,  transmitia conhecimento com autoridade, era um profeta de outras doutrinas que proclama a vinda do reino de Deus.
Jesus tem como missão proclamar a boa nova, a liberdade politica, a justiça social, a paz, o bem-estar e a fidelidade a Deus, resumindo proclamar o Reinado de Deus.
Jesus através do seu evangelho reúne os seus discípulos convertendo-os, recomendando total disponibilidade para proclamar o Reinado de Deus formando assim um novo povo.
A práxis de Jesus resume-se  em anunciar a chegada do Reinado de Deus, os milagres, o perdão, a integração na comunidade foram sinais para demonstrar esta chegada.
A igreja tem sofrido alterações na sua conceção ao longo dos tempos, de uma igreja vivida como mistério e comunhão na antiguidade, a uma igreja como império (Séc. IV e V), instituição sociológica de norma jurídica durante a idade média, de poder no Renascimento, Instituição de salvação no Vaticano I e guia mestra até ao vaticano II. Depois de discutir, definir e deliberar sobre questões de doutrina, fé, pastorais e costumes, no Concílio a igreja volta a ser mistério, sacramento, comunhão e comunidade.
Durante o Império Romano (séc. II – III) a igreja assume-se como a congregação dos crentes em jesus, exercendo a sua ação pastoral como fonte de verdade e vida, proclamando a fé.
O ensinamento da palavra de Deus, o testemunho de vida e a proclamação da fé são os pontos principais da igreja primitiva, seguindo estas tarefas: o anúncio, a fé a conversão consequentemente o batismo e a eucaristia.
Importante destacar que no séc. III ao catecumenado existente é adicionado a reconciliação, destacando-se ainda fixação do batismo durante o séc. II na festa da Páscoa, antecedido por um período de preparação.
A Igreja ganha novos contornos no séc. III, termo que significa Igreja sendo caraterizada como: os convocados em nome do senhor para celebrar a palavra de Deus, a época Patrística é uma época que o cristão tem de ter toda um vivência, respeitar o catecumenado, não só devem anunciar mas também viver essa catequese.
A partir do Séc. IV  o cristianismo deixa de ser perseguido e passa a ser a religião do império, provocando alterações ao nível do catecumenado, das conversões e até do poder dos sacerdotes, ficando este com o “poder sagrado” e os leigos com “ o poder não sagrado”.
Foi na Idade Média que a igreja estabeleceu como missão organizar o mundo segundo as leis de Cristo pretendendo uma separação de Estado.
Com a chegada dos Bárbaros, e depois destes terem tomado os territórios antes ocupados pelos romanos a Igreja estabeleceu a prioridade urgente de evangelizar este povo. Tempos onde se confundiu a os interesses políticos com os interesses religiosos.
Certo que a Igreja foi crescendo em número, mas os cristãos careciam de formação, para alterar essa situação novos meios de evangelhos foram criados como a Pregação Litúrgica, A Escola, A Família, As Imagens, a Sociedade Cristã e o Trento.
Em suma como qualquer instituição ao longo dos tempos sofre mudanças, tempos melhores e tempos menos bons, mas a Igreja tem a maior das forças a Fé e esta sempre acompanha e fortalece a Igreja a cada dia que passa, seja nos melhores ou piores tempos, fé essa, proveniente da “caminhada” de Jesus, das suas ações e da sua proclamação do Reinado de Deus.

2 comentários:

  1. Olá Ana, parabéns pela tua síntese...no entanto penso que podias ter dado mais ênfase ao desenvolvimento da Teologia Prática, uma vez que se trata de uma síntese da sua abordagem histórica...aguardamos a publicação da tua tabela :)
    Força e bom trabalho!

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  2. Ana, ótima síntese da abordagem histórica da Teologia Pastoral, no entanto tal como a Catarina, creio que poderias ter feito referência ao nascimento da Teologia Pastoral como disciplina e ciência autónoma. Bom trabalho!

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